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6. Preparando a Nova Geração

O livro "Profissionalização da Gestão em Empresas Familiares: Famílias Construindo Empresas ou Empresas Destruindo Famílias?" foi desenvolvido como resultado de experiências profissionais e pessoais, com o objetivo principal de contribuir para a profissionalização e continuidade das Empresas, e preservação da unidade familiar.

Por tal razão esse a versão digital deste livro está disponível inteiramente de forma gratuita pelo site. Pela natureza gratuita e de livre acesso deste livro os leitores poderão realizar contribuições voluntárias através do PagSeguro.

Para acessar os outros capítulos do livro acesse: sumário.

A versão impressa deste livro pode ser adquirida pelo valor de R$ 59,90 ---->

6. Preparando a Nova Geração

A nova geração possivelmente fará parte do negócio familiar e, uma vez que integre o negócio, certamente terão relevância na condução (presente ou futura) da organização.

Contudo, um indivíduo atuando em determinada área onde não possua vocação e pelo simples fato de ser herdeiro do negócio é uma fórmula com tudo para dar errado.

O fundador pelo amor ao negócio e pela sua trajetória pode ver nos seus filhos a coroação de um processo de sucesso, que será perpetuado na família.  Pode ser um sonho ver a transição da nova geração no comando dos negócios da família. Contudo essa nova geração precisa e deve ser preparada e testada. Por duas grandes razões:

·        Pelo filho - pelo direito de escolha vocacional;

·        Pela empresa - pelo perigo e ameaça à sua continuidade quando gerenciada por pessoas sem preparação ou disposição para tal.

Não necessariamente as vocações são hereditária e a nova geração merece e tem o direito de escolha vocacional.

Direito esse tão básico que é tratado claramente na Declaração Universal dos Direitos Humanos por meio do Artigo XXIII "Todo ser humano tem direito ao trabalho, à livre escolha de emprego(...).

O celebre filosofo chinês Confúcio  nos anos 400 A.C. já dizia "escolha um trabalho que você ame e você nunca terá que trabalhar um dia em sua vida". Uma pessoa conduzir um negócio fora da sua vocação irá trazer infelicidade pessoal e risco da gestão aplicada não ser a melhor para a Empresa.

A sucessão do comando entre familiares não é a única forma de garantir a continuidade dos negócios, inúmeras empresas e grandes conglomerados familiares  ao redor do mundo possuem a direção e condução dos negócios fora da família.

Na verdade, quando uma empresa adquire uma certa maturidade e porte é natural que a gestão da empresa fique na mão de pessoas hábeis e conhecedoras do mercado em questão, independente de serem familiares ou não dos fundadores. Dessa forma otimiza-se os ganhos para empresa e por consequência para a família.

Fica claro assim que, a depender do porte, a Propriedade e a Gestão da Empresa poderão ser distintas. Boa parte das grandes corporações familiares citadas no primeiro capítulo de livro possuem o controle familiar,  contudo a gestão é realizada por membros externos.

A família atua como acionista e controladora do negócio. Através do controle acionário e comando do Conselho de Administração a família atua nas definições das diretrizes estratégicas, aprova as prestações de conta, aprova os assuntos de maior impacto para a organização, destituem e constituem a diretoria. Exerce o controle mas sem ter que participar diretamente da gestão.

Profissionalizar a gestão da empresa familiar inclui  buscar os melhores profissionais para conduzir o negócio. Dessa forma algumas situações poderão provocar que a gestão direta da empresa fique fora da família. Além desse fato ser positivo em termos de profissionalização, mostra ainda que existem mais alternativas na forma de se preparar a nova geração de uma empresa.

Obviamente quando se tem um membro da nova geração com vocações naturais para o negócio, não existe razão a qual impeça que esse profissional seja preparado e assuma, de forma competente, as posições que almeja.

Quando existem sócios gestores e sócios não gestores é muito importante que sejam implementados processos e o controles que protejam os acionistas não gestores do o que chamamos "conflito de agência".

Essa situação acarreta numa natural assimetria informacional: os sócios gestores terão maiores informações sobre o negócio que os demais sócios (tal conflito será abordado em maior detalhe nos próximos capítulos) e caberá a Empresa estabelecer processos que controlem tal situação.

Quando a administração é exercida pelos fundadores, assim como em qualquer negócio que é controlado por muito tempo pelo(s) mesmo(s) indivíduo(s), é natural que existam "vícios" na gestão. Práticas que podem ser inadequadas, desatualizadas ou simplesmente não serem as melhores.

 

6.1. A preparação fora da empresa

É possível utilizar a nova geração como uma  "vantagem competitiva" para o negócio. A nova geração pode ser incentivada a buscar posições e experiência fora da empresa que poderão trazer benefícios futuros para o negócio.

Por exemplo: um integrante da nova geração possui habilidades e desejo de atuar na área financeira. Esse profissional poderá buscar experiências em grandes empresas ou consultorias, e retornara à Empresa para ser o futuro Diretor Financeiro, carregando consigo um conjunto de práticas, que somadas e integradas as práticas da Empresa Familiar, acarretarão  numa vantagem competitiva.

Tal lógica poderá ser implementada em outras situações, como por exemplo a Empresa Familiar cogita adentrar em atividades correlatas à sua porem não possui o conhecimento necessário. Nesse caso a nova geração poderá buscar experiência externa que complementem as competências necessárias e poderá voltar para a Empresa Familiar com as habilidades e conhecimentos necessários para que implemente essa nova área negócio.

Nesse sentido  pode se apresentar as seguintes etapas de preparação da nova geração:

 FIGURA 12 - Etapas de Preparação da Nova Geração  
Fonte: O autor

1ª -      Primeiro Emprego - Jovem Aprendiz

O primeiro emprego em idade escolar (por exemplo 16 anos) é uma excelente forma de educação de um jovem no que tange:

va compreensão do "valor" do dinheiro;

vo  respeito ao negócio da família;

vvocação ao trabalho e;

vmeritocracia.

É encorajado que novo membro familiar tenha um dos seus primeiros empregos no negócio da família. Uma espécie de estágio, que concilie com os estudos e formação, devendo possibilitar a flexibilização necessária para tal.

Além de ser uma excelente forma do jovem iniciar sua vida profissional, é uma perfeita oportunidade para que tanto o jovem quanto a geração antecessora avaliem a vocação para os negócios da família.

2ª -      Aprendizado Externo

Durante ou após o ensino superior é um momento oportuno para o jovem membro da família busque experiências fora do ambiente familiar. Experiências essas que irão auxiliar o jovem na identificação da sua vocação profissional e permitir que o jovem aprenda novas habilidades que poderão agregar ao negócio da família.

3ª -      Retorno aos negócios x vida profissional fora dos negócios da família.

Após um período (por exemplo 5 anos) de vivência fora do negócio familiar o jovem terá uma visão mais clara sobre sua vocação e nesse momento caberá ao jovem e geração antecessora definir o rumo:

vRetorno a Empresa Familiar trazendo consigo experiências que irão agregar ao plano de negócios da família; ou;

vPermanência fora da gestão familiar, onde o profissional não demonstrou interesse, vocações ou por quaisquer outros motivos decide seguir outro rumo  profissional. Futuramente esse membro da família será um acionista (não gestor) que terá participação através do conselho de administração da empresa.

Casos de Sucesso

Por questão de sigilo profissional serão apresentados, de forma anônima, dois casos de sucesso do planejamento da entrada da nova geração dos negócios:

1) Venda de Empresa Familiar:

Uma Indústria administrada pelos fundadores preparam seus filhos para a sucessão. A família avaliou a possibilidade profissionalizar a gestão e eventualmente vender a empresa.

Os pais, fundadores promoveram  educação e formação dos seus filhos. Um dos filhos atuou no processo de internacionalização da empresa e outro filho buscou experiências externas para contribuir na profissionalização da gestão e no preparo da empresa para recepção de um eventual investidor.

Com aptidão para área financeira, esse filho iniciou carreira como trainee em uma das maiores multinacionais de auditoria, apreendendo as melhores práticas de gestão financeiras e controles internos. Após alguns anos seguiu para uma grande empresa do setor na área de transações corporativas (suporte em processos de avaliação e compra e venda).

Após alguns anos esse filho retornou para o negócio familiar, trazendo consigo boas práticas de gestão e controles internos. O filho contribuiu para a profissionalização da gestão da empresa e para a preparação da empresa para uma venda a um investidor, o que ocorreu de fato anos após.

Certamente a trajetória e experiência desse profissional foram vitais para profissionalização da Empresa, concretização e alcance de um melhor valor para a família no momento da venda da Empresa.

2) Novos negócios

Uma empresa no segmento de prestação de serviços de advocacia, com renome em determinada especialização do direito é administrada pela segunda geração da Família.

A terceira geração decide adquirir experiência em outras áreas do direito que não são foco da Empresa Familiar.

Anos após de experiências externas a terceira geração retorna ao negócio familiar com novas especialidades do direito.

Como a empresa familiar possui acesso aos clientes e já possui renome, a oferta dessas novas atividades permitiu uma diversificação dos serviços e um consequente aumento das operações.

Eis mais um exemplo do uso planejado da nova geração, não só para suceder os negócios, mas para trazer valor adicional.