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9. Conflito entre Gestores e Acionistas

O livro "Profissionalização da Gestão em Empresas Familiares: Famílias Construindo Empresas ou Empresas Destruindo Famílias?" foi desenvolvido como resultado de experiências profissionais e pessoais, com o objetivo principal de contribuir para a profissionalização e continuidade das Empresas, e preservação da unidade familiar.

Por tal razão esse a versão digital deste livro está disponível inteiramente de forma gratuita pelo site. Pela natureza gratuita e de livre acesso deste livro os leitores poderão realizar contribuições voluntárias através do PagSeguro. 

Para acessar os outros capítulos do livro acesse: sumário.

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9. Conflito entre Gestores e Acionistas

Da mesma forma que se deve valorizar e reter talentos, ao passar para terceiros parte relevante da gestão da empresa é necessário estabelecer medidas de controle para proteção da empresa e combate do que se chama "conflito de agência".

A Teoria da Agência foi desenvolvida por Jensen e Meckling (1976)[1] cujo foco está no relacionamento entre agente (gestor não proprietário) e o principal (proprietário). Nesse cenário o agente dispõe de informações privilegiadas e suas ações afetam os interesses da empresa e dos acionistas. Nesse cenário surge o conflito entre de agência.

O conflito de agência é o conflito de interesses entre sócios com os gestores que pode ocorrer quando os proprietários não são simultaneamente os gestores que lidam com as questões operacionais do dia-a-dia.

Tais conflitos surgem a partir do envolvimento de um ou mais indivíduos (agentes) para a realização de alguma atividade que envolva a tomada de decisão e que afete os interesses da empresa e dos proprietários.

Conforme as empresas crescem é inevitável a figura de gestores não proprietários, e por consequência, um eventual conflito de interesses.

O conflito de agência poderá existir também quando apenas parte dos acionistas são membros da gestão do negócio. Nesse caso existe uma natural assimetria informacional entre os sócios gestores e os demais sócios, e caberá a Empresa estabelecer controles e processos que evitem tais conflitos e protejam os sócios não gestores.

O conflito que é centro das atenção é a possibilidade do gestor não ser independente em relação à matéria em discussão e focar suas ações motivado por interesses distintos daqueles da sociedade.

Os gestores, quando remunerados pelo seu desempenho, podem promover ações para resultados financeiros de curto prazo, sem a correta avaliação de risco. Por exemplo motivação para atingir metas e recebimento de bônus, poderá  provocar vendas a prazo para clientes com  histórico duvidoso de recebimento.

Um outro exemplo é quando um determinado gestor "se dá" alguns benefícios que teoricamente não são necessários para consecução dos objetivos da empresa. Por exemplo:

vaprovação de horas extras não necessárias para agrado dos subordinados;

vlocação automóveis de luxo;

vcompras pessoais com o cartão corporativo;

vescolher fornecedores ou funcionários sem justificativa técnica ou econômica, mas apenas para satisfazer relacionamentos externos pessoais.

Ao fazer isto, este  gestor não está trabalhando nos melhores interesses da empresa e de seus proprietários.

Existem muitos outros exemplos de conflitos de agência além dos supracitados. Por exemplo, a tomada decisão por indivíduos que vão além das suas alçadas e que tragam resultados negativos. Tal situação pode ocorrer até quando não existe intenção por parte do gestor, mas que por fim traz resultados que vão contra o interesse dos proprietários.

Algumas medidas podem e devem ser estabelecidas para evitar situações conflitantes, são elas:

vDefinição clara de regras e limites de alçadas (vide capítulo de controles internos) de forma a restringir o poder dos gestores em transações mais relevantes;

vAções para monitoramento dos gestores - Instituição de atividades de revisão ou implementação de auditoria interna.  Uma vez ciente da existência de procedimentos de revisão ou de auditoria interna, os envolvidos vão ser menos motivados a atuarem de forma conflitante aos interesses da empresa;  

vPrestação de Contas por parte dos gestores;

vNão incentivar ações que tragam riscos elevados;

vEstruturar a organização, de forma a limitar o comportamento indesejável dos gestores.

As atividades que amenizam os conflitos de interesse trazem custos para empresa e são denominados "Custos de Agência".  Dificilmente tais custos podem ser trazidos a zero.

Na ausência de qualquer atividade que modificam o comportamento dos gestores e protejam os interesses dos proprietários poderá haver perda de riqueza para a empresa pois os administradores poderão focar primeiramente nos seus interesses.

Nesse cenário a empresa deverá buscar um equilíbrio para que os custos não sejam demasiadamente levados mas consigam proteger efetivamente a empresa nessa circunstância.


 



[1] JENSEN, M., MECKLING, W. Theory of the firm: Managerial behavior, agency costs, and ownership structure. Journal of Financial Economics, 3, 305-360, 1976