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Hedge de Fluxo de Caixa - Aplicações

Um dos grandes benefícios do uso do hedge de fluxo de caixa é, certamente, a possibilidade de contabilizar simultaneamente no resultado ganhos e perdas envolvidos numa relação de hedge de exposição à variabilidade nos fluxos de caixa atribuível a um risco particular associado a um ativo ou passivo reconhecido  ou a uma transação prevista altamente provável.

 

Na prática, as variações dos instrumentos de hedge são acumuladas no Patrimônio Liquido até o momento que o objeto de hedge ocorra. Um bom hedge resultaria num efeito quase nulo  das variações dos riscos cobertos, em relação a posição protegida inicialmente.

 

O hedge de Fluxo de Caixa pode ser utilizado tanto com instrumentos derivativos, como não derivativos:

 

Hedge de Fluxo de Caixa com Derivativos

 

Um dos casos mais comuns é o de empresas com compras ou vendas altamente prováveis em moeda estrangeira. Por política de riscos, muitas empresas decidem cobrir com derivativos as exposições estimadas de fluxos de caixa para os próximos meses, ou anos, e muitas vezes tais transações (protegidas) ainda não são registradas na contabilidade pelo simples fato de não serem consumadas na ótica do regime de competência.

Entretanto, uma vez que a empresa contrate derivativos para cobrir a exposição de itens (a pagar e a receber) altamente prováveis ocorrerá uma volatilidade nos resultados contábeis da empresa, vejamos:

 

Os derivativos são contabilizados ao valor justo, gerando impactos no resultado quase que imediatamente à sua contratação. Contudo numa estratégia de cobertura eficaz, não é "esperado" grandes impactos no resultado, mas isso ocorre porque o item protegido ainda não foi registrado contabilmente (falta uma parte da relação de hedge). Para corrigir essa anomalia aplica-se o hedge de fluxo de caixa, que após documentado e comprovada sua efetividade, permitirá que os ganhos ou perdas dos derivativos sejam mantidos no Patrimônio Liquido para que afetem o resultado no período em que o objeto do hedge ocorrer. Ao final estará se protegendo os fluxos de caixa.

 

Hedge de Fluxo de Caixa com Instrumentos Financeiros Não Derivativos.

 

De forma similar ao citado anteriormente, são utilizados instrumentos financeiros não derivativos para hedgear transações altamente prováveis como Compras ou Vendas em moedas estrangeira. A lógica é a mesma, espera-se compensar as variações dos fluxos de caixa de compras e vendas altamente prováveis com instrumentos financeiros já registrados e que respondam de forma inversa a tais variações (para compensa-las). O caso mais clássico e de grande notoriedade é o da Petrobrás.

 

Em sua nota explicativa de 2015, a Petrobras apresenta sua política de hedge:

"A Companhia utiliza instrumentos derivativos e não derivativos como instrumentos de proteção e aplica a contabilidade de hedge de fluxo de caixa para determinadas transações.

As relações de hedge de fluxos de caixa se referem a hedge de exposição à variabilidade nos fluxos de caixa atribuível a um risco particular associado a um ativo ou passivo reconhecido ou a uma transação prevista altamente provável, que possam afetar o resultado.(...)

A reclassificação do ganho ou perda para o resultado é realizada quando a transação prevista ocorre. Quando não se espera que mais que uma operação prevista ocorra, o ganho ou a perda acumulado no patrimônio é imediatamente transferido para a demonstração do resultado." (sublinhado nosso).

 

Especificamente a empresa utiliza a estratégia de hedge para cobertura das exportações futuras, conforme se segue:

"A Companhia designa relações de hedge entre “exportações futuras altamente prováveis” (item protegido) e parcelas de certas obrigações (instrumentos de proteção) em dólares norte-americanos para que os efeitos cambiais de ambos sejam reconhecidos ao mesmo momento na demonstração de resultado.

Parcelas dos saldos de principal, juros de endividamentos (não derivativos) e contratos de câmbio a termo foram designados como instrumentos de proteção."

 

Comentários finais

 

Tal estratégia, além de melhor refletir contabilmente as estratégias de gestão de riscos, é uma prática que vêm sendo utilizada por outras empresas, com maior foco em empresas com grande volume de exportação ou importação.

 

Isto se deve pelo fato de que o hedge de fluxo de caixa não é permitido para risco de variação de preços (o que ocorre por exemplo na variação de fluxos de caixa de vendas nacionais de determinada produto agrícola).

 

Vale observar que o IAS 39 permite, para o risco cambial, a aplicação tanto do hedge de valor justo quanto do hedge de fluxo de caixa. Havia inicialmente uma expectativa que o IFRS 9  permitiria o maior uso do hedge de fluxo de caixa ness aspecto, porém tal expectativa não se materializou.

 

 

Walther Bottaro

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