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1. Empresas Familiares e a sua Relevância Econômica

O livro "Profissionalização da Gestão em Empresas Familiares: Famílias Construindo Empresas ou Empresas Destruindo Famílias?" foi desenvolvido como resultado de experiências profissionais e pessoais, com o objetivo principal de contribuir para a profissionalização e continuidade das Empresas, e preservação da unidade familiar.

Por tal razão esse a versão digital deste livro está disponível inteiramente de forma gratuita pelo site. Pela natureza gratuita e de livre acesso deste livro os leitores poderão realizar contribuições voluntárias através do PagSeguro.

Para acessar os outros capítulos do livro acesse: sumário.

A versão impressa deste livro pode ser adquirida pelo valor de R$ 59,90 ---->

 

1. Empresas Familiares e a sua Relevância Econômica

As empresas familiares estão presentes em todo o mundo, desde as épocas mais remotas, sendo uma das primeiras (talvez a primeira) forma de organização empresarial.

A organização empresarial familiar, muitas vezes instalada na própria residência ou anexa à essa, é um clássico exemplo de microempresa familiar, com a clássica estrutura: no térreo, um pequeno comércio, no primeiro andar, a casa da Família. Ou ainda as empresas familiares agrícolas, onde toda a família participa na condução da fazenda.

Quando se pensa em empresas familiares é natural associar tal categoria a pequenos comércios, pequenos armazéns ou propriedade de agricultura familiar.

Tal reflexo, apesar de natural, não poderia estar tão errado. Empresas familiares estão presentes em diversos segmentos, de todos os portes, no Brasil e no Mundo.

Por ser talvez a mais clássica forma de organização empresarial, muitas organizações familiares evoluíram de pequenos comércios a enormes redes varejistas, de pequenas oficinas de garagem a mega montadoras de automóveis presentes em todos os continentes.

1.1 Empresas Familiares no Brasil

Acredita-se que mais de 95% das Empresas brasileiras sejam familiares. Tal suposição é corroborada pelos dados do SEBRAE[1], que apontam que:

·        No Brasil 99% das empresas são micro e pequenas empresas (MPEs). Vale enfatizar que as MPEs respondem por 52% dos empregos com carteira assinada no setor privado (16,1 milhões) e 27% do PIB.

·        O SEBRAE aponta que 57% das MPEs no Brasil possuem parentes entre seus sócios e empregados, ou seja, são familiares. A região sul é a que apresenta maior proporção de empresas familiares (60%), seguida pelo sudeste (59%), centro-oeste (57%), norte (52%) e nordeste (52%).

·        O estudo do SEBRAE aponta também que 71% das empresas de pequeno porte são empresas familiares.

Fica evidente que as Empresas Familiares são de grande relevância tanto para produção nacional quanto para a criação de empregos.

1.2 Empresas Familiares no Mundo

A relevância das Empresas Familiares não é algo especificamente brasileiro. O Family Firm Institute[2] traz alguns dados globais relevantes sobre a participação dos negócios Familiares (tradução nossa):

·         "As empresas familiares são responsáveis ​​por dois terços de todos os negócios ao redor do mundo (Entrevista com John Davis, Harvard Business School);

·         Estima-se que 70% a 90% do PIB global por ano é criado por empresas familiares;

·         Entre 50%-80% dos postos de trabalho na maioria dos países do mundo são criados por empresas familiares (European Family Businesses, 2012);

·         85% das empresas start-up são estabelecidas com dinheiro da família (European Family Businesses, 2012);

·        Pelo menos metade de todas as empresas os EUA são empresas familiares (Harvard Business School)”.

É evidente que as empresas Familiares não se resumem a pequenos empreendimentos e estão presentes nos grandes conglomerados mundiais. Mas para se desenvolver, uma empresa familiar passa por um grande e desafiador processo: profissionalização.

Esse processo, apesar de vital, traz consigo inúmeras dificuldades de implementação, entre elas o fato da maioria dos seus resultados ser obtida a longo e médio prazo.

O desafio de profissionalização e sucessão de empresas familiares certamente é um dos maiores desafios na trajetória dessas organizações e das famílias empreendedoras. Tal processo pode ser a chave entre a continuidade ou extinção do negócio.

 Um estudo da Universidade de St. Gallen[3], na Suíça, listou as 500 maiores empresas familiares do mundo, e nessa lista aparecem grandes nomes da economia global de diversos países. Com destaque para a mega rede varejista Wal-Mart, aparecendo no topo do ranking, seguida da Volkwasgem.

Vale destaque ainda para duas empresas brasileiras: Itáu-Unibanco e JBS, que aparecessem entre as 25 primeiras do ranking.

Além das duas empresas brasileiras entre as 25 maiores, aparecem no ranking da universidade suíça outras 13 empresasbrasileiras:

TABELA 1 – Maiores Empresas Familiares Brasileiras

Colocação Mundial

Empresa

Família

18

Itaú Unibanco Banco Múltiplo SA

Moreira Salles

24

JBS SA

Batista

26

Odebrecht S.A.

Odebrecht e Gradin

72

Metalúrgica Gerdau SA

Gerdau Johannpeter

126

Votorantim Participações S.A.

Moraes

138

Camargo Corrêa S/A.

Camargo

179

Companhia Siderúrgica Nacional

Steinbruch

181

Sadia SA

Fontana

185

TAM SA

Amaro

191

Andrade Gutierrez S.A.

Andrade e Gutierrez

197

Porto Seguro SA

Garfinkel

202

Cosan Ltd.

Mello

295

Globo Comunicação e Participações S/A.

Marinho

318

GOL Linhas Aéreas Inteligentes SA

Constantino

388

Magazine Luiza SA

Trajano

Fonte: Universidade de St. Gallen, Family Business Index

É evidente que as empresas familiares não se dividem entre grandes conglomerados ou microempresas, existe uma parcela numerosa de empresas de pequeno e médio porte que enfrenta o seu maior desafio: profissionalização e sucessão ou estagnação e extinção.

Nesse contexto este livro objetiva contribuir, através da introdução de boas práticas de gestão, para o desafio de profissionalização das empresas familiares.



[1] Disponível em <http://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/ufs/mt/noticias/micro-e-pequenas-empresas-geram-27-do-pib-do-brasil,ad0fc70646467410VgnVCM2000003c74010aRCRD>, acesso em 24 de setembro de 2016

[2] The Family Firm Institute (FFI). Disponível em< http://www.ffi.org/page/globaldatapoints>, acesso em 24 de setembro de 2016

 

[3] Disponível em <http://familybusinessindex.com>, acesso em 24 de setembro de 2016.